Bonsai UX
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O Método Bonsai para frontend

Poe BellentaniPoe Bellentani

Um dia me disseram que a diferença entre uma pessoa mais nova e uma mais velha não era que a última era mais sábia, mas sim a paciência: ela pensava mais antes de agir e, portanto, errava menos pela impulsividade. Eu era bem novo quando ouvi isso e achei bonito, mas não tinha sentido na pele ainda o tempo agindo em mim como hoje - foi só uma frase de efeito jogada ao vento.

Depois de duas décadas trabalhando com Internet, fazendo sites, participando de projetos e diariamente absorvendo informação prática ou teórica nessa área a gente consegue perceber algumas coisas: existe um padrão em tudo o que fazemos e ele pode ser associado a diversos aspectos da nossa vida.

As vezes, achamos que estamos fazendo apenas sites ou designs para uma aplicação web, mas na verdade o que estamos realizando são partes de um todo - estamos diariamente produzindo conteúdo para as nossas vidas.

Tudo é interligado: nosso trabalho, nossa vida pessoal, nossos estudos, nossos amigos e nossos anseios. Não há porque pensarmos que podemos separar isso em esferas. A vida é uma só e não há porque pensar que temos uma vida pessoal, uma vida acadêmica ou uma vida profissional - no fim, tudo é a mesma coisa e faz parte de uma vida só, o que mudam são as prioridades e o que consideramos mais relevante dentro do contexto geral.

Com o passar dos anos comecei a perceber que o que fazia era repetitivo, sempre cortando arquivos em PSD para transformar em sites, refazendo as coisas do zero, pensando em sistemas ou interações novas, organizando conteúdo e discutindo projetos. Porém, eram ciclos que se repetiam, fazendo incontáveis vezes (e sempre) as mesmas coisas e do mesmo jeito.

Assim foi até 2005, quando começaram a surgir as primeiras discussões gerais sobre patterns e frameworks em frontend (e nem era tão dividido assim, existiam os webdesigners e os programadores - e ponto). Surgiram grid systems em CSS, os frameworks de programação backend começaram a pipocar por aí (.Net, Zend, etc.) e o pessoal começou a entender que era muito mais do que fazer sites - era uma arte de constante melhoria e busca por evitar retrabalho.

A minha trajetória profissional, mesmo que discreta, é similar a uma infinidade de outros profissionais que, como eu, estão por aí trabalhando como força bruta em uma infinidade de projetos: não somos rock stars nas nossas áreas, mas estamos fazendo o nosso melhor e a tempo suficiente para que compreendamos as coisas que nos cercam de uma forma mais ampla.

Hoje parece bem claro que temos que utilizar frameworks, que é preciso reciclar material, identificar processos, automatizar tarefas e melhorar performance, mas não era assim enquanto o mercado engatinhava em sua evolução.

Durante esses 20 anos de vivência na área consigo dizer que muita coisa mudou e a complexidade do que fazemos aumentou de uma forma absurda, mas posso dizer também que as coisas estão melhores e mais claras. Sabemos o que devemos fazer e tem informação disponível suficiente para que consigamos aprender com o relato de outras pessoas: a comunidade se fortaleceu, os conceitos se estabeleceram e existe sim uma maneira de definir profissionais bons e ruins.

O cara do HTML está com os dias contados, o designer que faz apenas layout sem se preocupar com a funcionalidade também está na fila do abate e o primo que faz sites ainda existirá para aterrorizar todos aqueles que trabalham na área.

Uma coisa que posso afirmar depois desse tempo é que não estamos apenas fazendo sites, mas sim realizando todos dias pequenos projetos e concretizando pequenas ideias. O amor, atenção e cuidado que temos em realizar cada tarefa se espelha no todo: quanto mais o tempo passa, mais fica clara a somatória das coisas que a gente faz e conseguimos visualizar o panorama mais amplo.

Por isso resolvi dividir um pouco das coisas que percebi e tentar criar uma metodologia de desenvolvimento de frontend, levando em consideração as coisas que aprendi durante os anos, os conceitos que tive contato e as minhas experiências de vida no geral.

Resolvi batizá-lo com um nome e tentar dar forma, mesmo sabendo que ele irá mudar porque aprenderei mais coisas e que o que acho hoje será diferente amanhã. Por conta dessa mutabilidade manterei esse blog com os conceitos e atualização do mesmo, bem como um Github com os principais modelos utilizados.

Espero que seja útil a vocês - e aguardo feedbacks, tanto por e-mail como comentários, eles serão extremamente bem-vindos.

Sobre bonsais e frontend

Bonsai é a arte japonesa de fazer árvores pequenas. Bom, é isso o que vem na cabeça da maioria das pessoas quando o termo aparece. A definição é muito mais ampla e com ela conseguimos ilustrar a base da metodologia que explicaremos na sequência.

Este é um método desenvolvido depois da observação dos processos durante anos como líder de equipe e também de empresário no ramo de design web e frontend, foi a base da missão e visão da minha antiga empresa e e permeia o trabalho desenvolvido durante todos esses anos. Foi rabiscado em diversos lugares e agora compilados nesse concept compendium.

bonsai n.m.

  1. (Botânica) Árvore anã, de origem japonesa, miniaturizada através de uma técnica de jardinagem que consiste em cortar ramos e raízes em específico;
  2. Designação da arte de jardinagem japonesa referida que permite cultivar bonsais.

(Etm. do japonês: bonsai)

O conceito é muito mais amplo: bonsai é a arte de vencer o tempo, da paciência e do cuidado exemplar. Por isso escolhemos essa ideia, porque nossa proposta é exatamente essa: fazer o melhor trabalho para o cliente, dentro de um prazo adequado e com o maior cuidado do mundo.

Não apenas entregamos sites e aplicativos, mas moldamos pequenos bonsais toda vez que fazemos algo.

Um bonsai está atrelado intimamente ao conceito japonês de kaizen(a tradução do termo seria "mudar para melhor"), mas pode ser ampliado como a constante melhora e busca pela perfeição - mesmo que a perfeição seja um estado inalcançável. Além disso, existem vários outros conceitos do zen que podem ser incorporados ao processo de trabalho - e em web, a gente trabalha com isso, a prática constante da mesma tarefa cíclica e repetitivamente.

Trabalhar com web é estar atento não só as tendências, mas a uma série de detalhes que, quando somados, transformam nossos esforços e realizações em objetos unicamente belos - e somem a isso a alta performance, disponibilidade, reutilização e utilidade real ao cliente final.

Programação agnóstica

O conceito de programação agnóstica parte do princípio que não é escolhida uma linguagem definitiva, mas a que melhor se encaixa para resolver determinado problema.

O termo determina um método de desenvolvimento onde a linguagem é escolhida para uma tarefa específica (ou ferramenta) e não somente pelo conhecimento dos desenvolvedores envolvidos no projeto.

Um exemplo prático é a criação de aplicativos web, onde você pode ter toda a regra de negócio rodando em servidores com uma linguagem como .Net ou Java e usam um banco de dados em SQL, mas o aplicativo em si usa Javascript/Node.js e bancos de dado noSQL.

Tudo tem um começo

Pré-requisitos para entender o método

Vamos considerar que HTML e CSS são pré-requisitos para se entender o método, bem como uma certa experiência com trabalhos na área de desenvolvimento de software e, especificamente, projetos web.

Outro pré-requisito é o conhecimento básico de uma linguagem de programação (qualquer uma, desde Javascript e PHP até C++ e .Net) - isso facilita um bocado o desenvolvimento dentro da nossa árvore de conhecimento.

Se vocês querem saber como começar a programar e entender um pouco mais, tem alguns posts aqui no blog que comecei a fazer pra dar o caminho dos barcos.


No próximo post irei apresentar os pilares conceituais do método. Seus comentários, dicas e sugestões são sempre bem vindos! :)

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