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O fim do "HTML guy"

Poe BellentaniPoe Bellentani

Alguns chamam de "estruturador", outros de "front-end" ou de "HTML/CSS coder", não importa o nome, o HTML guy está com seus dias contados - pelo menos da forma como conhecemos a profissão.

Já são pelo menos quase duas décadas dessa profissão, que mudou um bocado no decorrer do tempo, passando pelos HTMLs simplistas, pelas malditas e complexas tabelas, pela revolução do CSS até a chegada gloriosa ao HTML semântico.

Esse profissional especialista em entender as nuances do HTML e do CSS (com uma pitadinha de Javascript), traduzindo layouts e transformando-os em páginas navegáveis tem um papel fundamental na ecologia da web. É ele o responsável pela grande massa de portais, serviços online, sites institucionais e por grande parte das coisas que a gente vê na web.

Então por que afirmar que um profissional tão importante vai desaparecer do mercado? Na verdade, o que vai desaparecer é a função como conhecemos hoje: o apertador de botão, cercado de processos repetitivos aperfeiçoados devido a experiência na aplicação dos mesmos.

Quando falamos de processos que se repetem já podemos prever automatização. Coisas que tendem a ter padrões são passíveis de serem transformadas em rotinas: um framework HTML/CSS bem feito, com funções utilizando Javascript de arrasta-clica-e-solta economiza muito trabalho massante e acelera o resultado final.

A maioria dos profissionais que trabalham nessa área traduzem layouts enviados por designers em códigos para serem interpretados por navegadores, seja em desktops ou mobile. Eles vivem rodeados por uma imensurável nuvem de tecnologias e seus inúmeros acrônimos, tendo seu cotidiano regido pelo processo “recebe layout > transforma layout em html/css > cria interações JS > executa ou envia para implementação”. Com uma alteração ou outra ali e aqui, é nessa esteira que fica a grande massa.

Utilizando ferramentas como LESS, SASS e Grunt (todos usando de alguma forma o Node.JS), a automatização dos processos de produção de HTML e (principalmente) CSS se torna possível. Os códigos passam para outro nível, a mecanização se torna evidente e de responsabilidade do software.

O mercado muda com a elevação da consciência do profissional: ele não é só um apertador de botões, mas sim alguém que identifica padrões (design patterns) e escolhe qual a melhor forma de aplicar a solução.

Então, é aí que morre o HTML guy e passa a nascer um profissional mais interessante, que compreende semântica, consegue enxergar padrões, tomar decisões e aplicar conhecimento técnico em situações desafiadoras. Libertaremos os apaixonados pelo seu trabalho e permitiremos a eles seguir para áreas que sejam mais suscetíveis ao desenvolvimento pessoal.

Certo que muita gente gosta do comodismo da base técnica, gosta do trabalho de formiguinha que não se altera e da zona de conforto, porém, o trabalho mecânico é sempre sujeito a mudanças drásticas e a extinção.

Logo mais teremos softwares que farão essa parte mecânica, mas de forma alguma irão matar a necessidade do conhecimento dos fundamentos do código ou daqueles que trabalham diretamente nele - o aspecto humano é necessário, já que é um trabalho feito para humanos. Será necessário conhecimento teórico e menos trabalho de repetição - um bom profissional não necessita saber de cor todas as tags HTML e seus atributos, mas sim como e porque aplicar seus conceitos.

O HTML (e as sopinhas de letrinha que o acompanham) passa por uma revolução há mais de uma década e até agora não existe hegemonia de software nesse sentido, o velho “editor texto” ainda é mais eficaz (e cada um usa o que lhe agrada mais, de Dreamweaver a Sublime, sem preconceitos), mas a tendência em termos softwares WYSIWYG melhorados e adaptados é enorme (a Adobe, por exemplo, está em uma batalha constante na Creative Cloud para tentar criar o novo software padrão - e provavelmente consiga - o Muse).

Hoje vemos grandes mudanças em como nos relacionamos com o design web, principalmente porque a ideia de frameworks e “design orientado a objeto” se expande (mesmo não sendo algo novo, é só agora que ganha popularidade).

O mercado evolui levando em conta diversas iniciativas, tais como:

Todas essas mudanças fazem com que o “apertador de botões” se obrigue a evoluir, ganhando conhecimento e passando para o segundo nível de existência, aquele lugar onde residem os seres pensantes.

Por essas mudanças todas e reviravoltas no que pensar sobre “fazer sites” o HTML guy está com seus dias contados, para o bem dos tendões de milhões de pessoas pelo mundo afora.

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