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O bolo e as cerejas

Poe BellentaniPoe Bellentani

Observo e ouço muito dos amigos que trabalham por aí com TI e com outros negócios. Depois de muito analisar resolvi começar a colocar algumas experiências em forma de historietas. Podem ser ótimas metáforas ou alegorias para o cotidiano - explicam muito sobre as relações pessoais no trabalho e permitem reflexão.

Nessa primeira história, talvez muitos se identifiquem e, quem sabe, repensem as suas relações com as cerejas e os bolos.


Marcelo, o confeiteiro da Bolos & Tortas S.A., é uma pessoa bem peculiar: ele gosta muito do que faz e é interessado, principalmente, em criar novidades, seja por algo inédito ou utilizar as velhas receitas de uma forma que o resultado seja algo mais interessante do que o original.

O dono da empresa, o Sr. Genevaldo, gosta muito da proatividade do confeiteiro que, no final, acaba agregando mais valor aos produtos da sua empresa. Genevaldo não tem muito talento com inovação e zero na arte dos bolos, pois quem começou a fazer os bolos da sua empresa era sua filha, porém, tudo deu tão certo que ele resolveu tocar a empresa pra frente - seu grande talento é como gestor de negócios. Porém, Genevaldo sofre do mal dos inéptos: sempre acaba dando uma opinião sem muito fundamento para as criações de Marcelo.

O confeiteiro tem opiniões fortes e acaba explicando ao seu chefe que algumas decisões tendem a modificar o produto final, deixando a receita diferente do que deveria - mas Genevaldo bate o pé e, como "ele é o chefe" (como deixa claro nos argumentos finais), a coisa tem que sair do jeito que ele pede.

Como tinha de ser, o tempo exerceu o seu julgamento: Marcelo, num impeto criativo, fez uma das suas melhores obras. O bolo era lindo e saboroso, prontíssimo para ir para a festa de um figurão importante que pagou uma fortuna pelo trabalho.

O confeiteiro fez o que lhe foi encomendado pensando no melhor para o cliente e para a Bolo & Tortas. Porém, Genevaldo achava que poderia colaborar e, para satisfazer seu ego, pediu para que Marcelo colocasse cerejas na cobertura. O confeiteiro bateu o pé explicando todos os contras daquela atitude, mas o argumento "a bola é minha e joga quem e como eu quiser" ganhou e as cerejas foram adicionadas ao bolo.

Foi uma comoção total quando o bolo chegou a festa, realmente, estava lindo e delicioso. Todos parabenizaram Genevaldo e a Bolos & Tortas S.A. foi mencionada em diversas rodas de conversa. O bolo estava uma delícia e lindamente acabado - mesmo com as polêmicas cerejas.

No final, a única pessoa que não comeu o bolo foi a noiva, que era alérgica a cerejas, mas tudo bem, ela estava de dieta.

Dois dias depois, uma matéria no jornal, dizia que diversas pessoas do casamento tinham passado mal e começou o murmurinho. A noiva não teve problema algum, mas o noivo perdeu a sua lua de mel porque não conseguia nem levantar da cama direito devido a indisposição.

Depois de muito se especular, descobriu-se a causa: as cerejas estavam estragadas. Todos que comeram a parte com cobertura do bolo passaram mal, pegos por uma das maiores intoxicações alimentares possíveis.

Quando a história veio a tona, Genevaldo disse a Marcelo que nunca mais deveria usar cerejas, quando prontamente foi respondido pelo confeiteiro:

Eu nunca uso material industrializado de procedência duvidosa, o que era o caso das cerejas. Tentei argumentar isso com o Sr. naquele dia e, no ímpeto de agradar ao seu ego, ouviu apenas o que queria.

Genevaldo, como sempre, ignorou o final e a explicação longa que se seguiu. Dois meses depois, pediu novamente para que fossem adicionadas cerejas em um novo bolo, mas dessa vez, deveriam vir também com uvas cristalizadas.

O confeiteiro, dois bolos depois, pediu a conta.

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